obs1: aqui, não há a mínima possibilidade de descrever o que paul fez no show, apenas a repercussão dele.
obs2: sei que não vou dizer nenhuma novidade referente ao besouro, no entanto, o que me leva a escrever é, com certeza, o que também levou milhares de pessoas, por qualquer motivo que seja, ao show, e simplesmente continua me movendo, por esse qualquer motivo, para estar aqui.
obs3: tomara que com tudo isso, aqui haja espaço praquele momento indescritível pós-show.
se você pensa que esse relato é de alguém que chegou a tocar em paul mccartney, não é.
ou que seja jogou um White Album em pleno palco e o recebeu de volta autografado, não, não é.
também não é a história de um pano qualquer que um dia virou ursinho-de-pelúcia,
e que depois de ser arremessado ao léu, não apenas foi juntado, mas levantado sobre as mãos daquele cujo o morumbi todo focava sua atenção.
longe de ser um roteiro pessoal, ainda sim é um roteiro que sofreu emoções dramáticas e já pesavam não quando conheci beatles, mas desde o dia que beatles é beatles.
(pense comigo, se fosse um roteiro pessoal, vocês não iriam me entender. no entanto, está claro minha falta de habilidade em falar de certas coisas, não?)
no caso, tá mais pra mais um dos milhões de brasileiros que esqueçaram que beatlemania, queira ou não, ainda existe (ingressos pra todos os 3 shows esgotados em menos de 24 horas)
e que conseguiram um mísero-revolucionário ingresso por meios de mera sorte.
(o velho caso do amigo, do amigo, do amigo, que comprou 2 ingressos por medo da compra não ser registrada, ficando com 1 ingresso sobrando, e que sabe-se lá porquê, essa informação chegou a mim)
bendita sorte! única e exclusivamente ela! (há de ser ela. outra tentativa de explicação seria alguma coisa como cretina, fajuta ou safada)
se você quiser dar qualquer outro nome que achar que valha à pena traduzir para representar a situação dessas tantas pessoas e também das outras que
estavam com o ingresso na mão e foram pro evento como se fossem o motivo maior de suas existências, pois sabiam e queriam que fosse, fique à vontade.
afinal, ver ali era vi-ver. era vim-ver. e vi-mos - agora podemos dizer que vimos. e realmente só quem vê pode dizer que viu (nada mais óbvio e certo).
sorrindo de graça; esperando o tanto que fosse; ansiando compulsivamente;
pegando chuva; errando a entrada do portão (consecutivamente); trocando ingressos com casais prejudicados pela entrega errada dos mesmos;
(ainda que em condições melhores, nessa hora o show já havia começado), engolindo o choro, sendo histérico a-lá anos 60,
dando super-hiper-mega-mortais flipes carpados de costa durante as músicas; enfrentando policiais; sendo agredido por bombeiros;
sendo seriamente ameaçado de não entrar porque a porra do ingresso, com a chuva,
dividiu sua parte pontilhada; perdendo pertences em correrias; não se movimento no show pra não perder nenhum momento; se movimento no show pra aproveitar todos os momentos;
enfim... e tudo isso, bem no fundo de a gente, nós queríamos e esperávamos.
já pensou sair de um show do paulinho sem a sua história pra contar?
logo, vocês podem entender claramente se eu disser que o show é histórico. e é. de qualquer forma seria histórico, pois de tantas formas é.
tentando ser bem sensato, arriscando o "Às" guardado na minha manga, ir presse show deve ser justamente criar essa loucura
colossal entre uma percepção e outra, a nível de você achar que até agora, eu não falei absolutamente nada do show
e eu falar que você é quem não tem a mínima noção das coisas. entretanto, saiba que definitivamente estou te elogiando se fizer isso, não duvide. (e eu estou).
no final das contas, ainda haverá muito o que se dizer.
não é preciso ir longe pra imaginar que qualquer história contraditada
seria uma ofensa tão pura quanto a certeza de que temos direito à vida.
nem mesmos àqueles que não viveram o que nós vivemos estão isentos disso,
já que até esses Paul atingiu.
quando é pra fazer parte de, provavelmente (provavelmente nada, é, e ponto final)
a maior banda de todos os tempos, ele se coloca no Guinness;
quando é pra revolucionar, ele vai lá e muda a história da música (cantem comigo: "We're Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band...");
quando é pra ele mostrar que realmente vive de música porque a música vive nele,
ele vem ao brasil novamente mostrar que é real até hoje, que faz música, que ama fazer música, que sabe fazer música, e continua fazendo.
com a certeza de que "hey jude!", como apenas um pequeno exemplo, é certamente um dos "laralala" feitos pelo público
mais emocionantes dos "laralala"s já feitos pelo público.
obs final: se for preciso pra que o paul requebre, ele requebra, e com aquela postura de alguém que parece já ter visto o mundo todo
e sabe muito bem como causar os suspiros tão aguardados e quase que naturalmente instintivos só de falar em pensar no seu nome.
a gente podia ir pro show e achar que o paul tá velho e entediante,
e se fechássemos os olhos e imaginássemos uma criança de 10 anos, não iríamos ver nenhuma diferença;
a gente podia continuar achando que o paul já deu o que tinha que dar,
e esquecer que mais do que ter feito história, ele continua nela;
a gente podia ir pro show e não entender o porquê de não estarmos entendendo o que estava acontecendo,
e nem será preciso;
a gente podia marcar a nossa vida só com as alegrias presentes do show de tão antigas,
e assim, como eu disse, não era preciso entender, já que a nossa emoção em ler qualquer coisa sobre Ele continuará provando isso.
um tchau a-lá paul-bailarino fazendo um big-coração.
ah, eu sinceramente tenho sérias dúvidas sobre as minhas questões de fanatismo, no entanto, pra continuar desfrutando das lembranças do show, só mais hoje eu vou continuar na dúvida.